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sábado, 9 de maio de 2009
Investigação do cancro
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Terry Fox

quarta-feira, 6 de maio de 2009
Um mundo quase inabitável

domingo, 3 de maio de 2009
Costa da Guia
terça-feira, 28 de abril de 2009
Maria Gabriela Llansol ou a reinvenção da escrita

Da sua escrita disse lucidamente João Barrento tratar-se de uma escrita-vida exactamente porque " nela se confundem a vida e a escrita, sem qualquer traço de confessionalismo : trata-se de um escreviver novo da parte de quem escreve e de um escreler único da parte do legente - pois ler Llansol é ler do lado da escrita e do lado da vida num processo nunca acabado (...)" .
Em Llansol a escrita redime e liberta , questiona e responde, revela o invisível que sempre esteve presente ( o olhar sobre o real desencadeia a visão do real a qual, no invisível, lhe corresponde - O Senhor de Herbais), o universo da imaginação que aglutina todos os seus livros. Enfim, uma escrita de mundos diversos, uma escrita da palavra pura e significante que acede à imagem , sem metáfora - " Escolhi o caminho de uma construção frásica que pudesse dar-me acesso ao mundo autónomo da imagem". Uma escrita que porventura reinventa a linguagem poética sem o saber.
Maria Gabriela Llansol não é, não foi , deste tempo ou deste lado do tempo. Eduardo Lourenço disse certa vez dela " Llansol será provavelmente o último grande mito literário do século XX, depois de Pessoa". Na verdade, a sua obra perdura e desafia de um modo intemporal.
27 de Setembro de 2002
Apago o desenho que já fiz - e as cadeiras estão vazias à volta da mesa. Apaguei as árvores que desenhara sobre o texto, mas elas permanecem erguidas pelas raízes nas cadeiras. O vento derrubou um copo de vidro e de papel. A brisa , agora feita vento, sopra.
(...)
Brilha, perto, aqui, sobre aqui - e sobre tudo -
a luz da vida.
Cadernos 2.63
sexta-feira, 24 de abril de 2009
Sophia

Mais além da poesia, mas também da prosa, contos, teatro , ensaio e traduções, Sophia teve
uma empenhada e exemplar intervenção política na defesa das liberdades , quer antes do 25 de Abril no tempo da ditadura, quer depois .
Aqui recordo Sophia , a minha paixão pela sua poesia e a minha admiração pelo seu exemplo de cidadania.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
Guess who ?
Aljube - Memória da resistência

Dentro da claridade destas grades...
Foram duas fragatas ver quem era
Um tal milagre assim: era um navio
Que se balança ali à minha espera
Entre as gaivotas que se dão no rio.
Mas eu é que não pude ainda por meus passos
Sair desta prisão em corpo inteiro,
E levantar âncora, e cair nos braços
De Ariane, o veleiro.
1 de Janeiro de 1940
Prisão do Aljube
Miguel Torga
Claridade
Clareou.
Vieram pombas e sol,
e, de mistura com Sonho,
pousou tudo num telhado...
( Eu, destas grades a ver,
desconfiado.)
Depois,
uma rapariga loira,
(era loira)
num mirante,
estendeu roupa num cordel:
roupa branca, remendada,
que se via
que era de gente lavada,
e só por isso aquecia...
1 de Fevereiro de 1940
Prisão do Aljube
Miguel Torga
terça-feira, 21 de abril de 2009
Para memória futura V

A história da perseguição política ao Prof. Abel Salazar pela ditadura salazarista é demonstrativa da sanha feroz com que o regime perseguia os que se lhe opunham, ou apenas o criticavam , e bem assim da fanática cegueira intelectual que o espartilhava.
O Estado Novo tinha montado de forma pertinaz um aparelho repressivo aparentemente legal de que se destacava o tristemente famoso decreto-lei nº 25317 de 13 de Maio de 1935 , o qual referia logo de início :
"Artº 1º - Os funcionários públicos ou empregados, civis ou militares, que tenham revelado ou revelem espírito de oposição aos princípios fundamentais da Constituição Política , ou não dêem garantia de cooperar na realização dos fins superiores do Estado, serão aposentados ou reformados, se a isso tiverem direito, ou demitidos em caso contrário.
Artº 2º - Os indivíduos que se encontrarem nas condições do artigo anterior não poderão ser nomeados ou contratados para quaisquer cargos públicos nem admitidos a concurso para provimento neles.
A que se acrescentava o seguinte parágrafo:
§ único : Quando o provimento se fizer mediante concurso de provas públicas, estas não poderão começar sem que ao respectivo Ministro seja dado conhecimento da lista dos candidatos com a antecedência de dez dias".
Seguindo-se outras disposições que punha nas mãos do governo a decisão de arbitrariamente demitir ou afastar quem muito bem entendesse, fazendo tábua rasa do seu mérito , provas prestadas ou valia científica.
Para além de por todas as formas vigiar, impedir, perseguir, expulsar, provocar, prender e torturar quem muito bem entendia.
Assim foi pois expulso da Universidade e da Faculdade de Medicina do Porto o Prof. Abel Salazar.
Foram também expulsos da Universidade o Prof. Aurélio Quintanilha, o Prof. Manuel Rodrigues Lapa, o Prof. Sílvio Lima, o Prof. Norton de Matos do IST e ainda os professores do ensino primário Jaime Carvalhão Duarte , Costa Amaral e Manuel da Silva.
Assim foi expulso em 1946 o Prof. Bento de Jesus Caraça, professor catedrático do ISCEF da Universidade Técnica de Lisboa.
Assim foi demitido o Prof. Mário de Azevedo Gomes.
Em 18 de Junho de 1947, sendo Ministro da Educação Fernando Andrade Pires de Lima, foram expulsos da Universidade os Profs. Ruy Luís Gomes, Mário Silva, Celestino da Costa, Cândido de Oliveira, Pulido Valente, Fernando Fonseca, Adelino da Costa, Cascão de Ansiães, Torre de Assunção, Flávio Resende , Ferreira de Macedo, Peres de Carvalho, Marques da Silva, Zaluar Nunes, Rémy Freire, Crabée Rocha, Dias Amado, Manuel Valadares, Armando Gibert, Lopes Raimundo, Laureano Barros, José Morgado, Morbey Rodrigues, e outros docentes universitários num total de 21.
Todos eles distintos cientistas , investigadores e docentes, muitos deles catedráticos, alguns de Medicina, afastados de forma humilhante ( o Prof. Ruy Luís Gomes por exemplo foi afastado do serviço por telegrama e ulteriormente após um simulacro de processo disciplinar, foi demitido pelo chamado Conselho Permanente de Acção Educativa presidido por Mário de Figueiredo ) por mero delito de opinião e crítica à ditadura.
Assim foi amputada de forma miserável a inteligência nacional .
O que não admira num regime em que a escritora Virgínia de Castro Almeida escrevia no Século " a parte mais linda, mais forte, mais saudável da alma portuguesa reside nesses 75% de analfabetos (...) felizes os que esqueceram as letras e voltaram à enxada" , ou João Ameal " (...) um dos factores principais da criminalidade é a instrução(...)".
Ou ainda António Ferro que dizia " (...) é mais urgente a constituição de vastas elites do que ensinar o povo a ler".
domingo, 19 de abril de 2009
Censura

Condição humana

I. aterrou em Lisboa. Vinha de S. Tomé com um pequeno saco vermelho. Vinte e poucos anos. Um enorme e assustado olhar interrogativo. Ao fim de muitos meses de espera um esforço humanitário havia conseguido trazê-lo para Portugal . A doença, um enorme tumor localizado no pescoço, progredira visivelmente. I. já tinha dificuldade em respirar e o volume da lesão expandia a pele no limite da ruptura.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Soeiro Pereira Gomes ( 1909-1949)

Fecharam os telhais. Com os prenúncios de Outono, as primeiras chuvas encheram de frémitos o lodaçal negro dos esteiros , e o vento agreste abriu buracos nos trapos dos garotos, num arrepio de águas e de corpos. Também sobre os fornos e engenhos perpassou lufada desoladora, que não deixava o fumo erguer-se para o alto. Que indústria como aquela queria vento é certo; mas sol também. Vento para enxugar e sol para calcinar - sentenciavam os mestres. Mas o sol andava baixo: não calcinava o tijolo, nem as carnes juvenis da malta.
in Esteiros
do esquivo vento outonal te
passará depois o inverno e daí arrancarás as flores
que a terra húmida e premente
te abrirá nas mãos
gretadas de negras unhas e inquieta revolta
virá o sol mais tarde pela manhã
talvez pela tarde quando os teus pés se perderem em ruas de cinza
e uma luz coada breve sem nome
te afagar a cara
naquele recanto onde costumas estar
olhando o rio
à espera
Daniel de Sousa
sexta-feira, 10 de abril de 2009
Miguel Torga

Sexta-feira

quarta-feira, 8 de abril de 2009
Pessach e o Anjo da Morte

detemos o curso do tempo nesta taça de vinho
e os nossos olhos brilham de novo com fulgor
a memória vive
num movimento de futuro
porque aqui imaginamos a liberdade - adameh
suspendemos o golpe mortal do anjo
sobre o nosso rosto
que assim se abre para a luz
vem escravo
sai e caminha comigo
nesta noite
em que começamos a viver
Pedro Saborino
quarta-feira, 1 de abril de 2009
1 de Abril de 1939

domingo, 29 de março de 2009
A poesia é uma arma carregada de futuro

A poesia deste basco é tão intensa como as suas buscas. Resistente antifranquista , construiu a utopia de uma poesia de intervenção, social, directa, imanente, que preencheu muitos sonhos da minha juventude. Como esta.
(...) Assim é a minha poesia: poesia-ferramenta
e ao mesmo tempo pulsação do unânime e do cego.
Assim é , arma carregada de futuro expansivo
com que te aponto ao peito
Não é uma poesia gota-a-gota pensada.
Nem um belo produto. Nem um fruto perfeito.
É algo como o ar que todos respiramos
e é o canto que difunde o que levamos dentro.
São palavras que todos repetimos sentindo
como nossa, e voam. São mais do que o que dizem.
São o mais necessário : o que possui um nome.
São gritos no céu e, na terra, são actos.
Gabriel Celaya (1911-1991)
sábado, 28 de março de 2009
Poemas de Varsóvia
sexta-feira, 27 de março de 2009
Cancro, listas de espera e cidadania

Homenagem a Manuel Alegre

Manuel Alegre é o poeta da paixão indizível, da aventura épica, do destemor, do grande silêncio .Talvez o último poeta romântico do seu tempo.
O seu percurso de vida preencheu o imaginário da minha geração.
Para mim certamente um dos poetas preferidos. Talvez o mais próximo.
Metáforas
As metáforas devoram as metáforas
mas nunca ninguém dirá
aqui
ou
ali.
Porque o teu reino é no adverso e no inverso
e só aí
o vento o verbo um verso.
Manuel Alegre, Livro do Português errante
Que nome te dar? Tu és única. Tu és todas. Ou talvez nenhuma. Eu sou tu. Tu és eu. A outra metade de mim. A parte de ti que em mim ficou. A parte de mim que foi contigo. Ninguém me foi tão próximo. Ninguém me escapou tanto.
Como foi que constantemente nos encontrámos e nos perdemos?
Esta é a história . Uma história sem história. Uma história só isto.
Manuel Alegre, A Terceira Rosa

