quarta-feira, 11 de abril de 2012

Epistolário sentimental III









no silêncio aparente dos mortos declinam-se os recantos da terra assim extinta sobre o brilho lunar dos heróis

morro por dentro, na vaga do tempo

inconcluído

destroço do nada que vagueia

e, chamando-me, a ave

no seu grito alado, invoca a liberdade



do nada se refaz o vento que varre a memória,

e na rocha, na sua bruta forma, desenha-se por fim o teu rosto

que a manhã acende em poderosa chama da paixão

a luz irrompe então sobre ti, incontida, como o mar na gruta do desejo

tudo se suspende

e o teu corpo nasce, intocado e nu

na invocação da manhã



 Pedro Saborino

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