sábado, 17 de março de 2012

sagração

imagem de Pina, Wim Wenders




o poema tem um cristal
e o sangue explode nas arestas
quando se desnuda

a palavra é o interior do silêncio
o poema a sua viagem
até à margem do cântico final

o fogo a carne o suor a lágrima do sexo
a exaustão
que o tempo prolonga
em raiva
e sedimento animal

o poema constrói um rio
entre salgueiros de raízes descarnadas

porventura alguma vez nos pertenceu o poema ?
ou vimos de perto o rosto do poeta?



Pedro Saborino















quarta-feira, 14 de março de 2012

epistolário sentimental



no silêncio aparente dos mortos declinam-se os recantos
da terra agora extinta
o brilho lunar dos heróis
morro por dentro como a vaga inacabada e o tempo (inconcluído destroço do nada sideral) vagueia sobre mim
chamando-me, como a ave
no seu grito invoca a liberdade

porém do nada se refaz o vento inconformado
e na rocha bruta desenha-se o teu rosto
a manhã acende poderosa a chama da paixão
então o mar irrompe sobre ti incontido na gruta do desejo
tudo se suspende sobre o teu corpo
tocando no desejo o eterno


Pedro Saborino

sábado, 3 de março de 2012

Para Maria Gabriela Llansol

No 3º aniversário da sua morte

do real

(…) Aprendi que o real é um nó que se desata no ponto rigoroso em que uma cena fulgor se enrola e se levanta.
Maria Gabriela Llansol, Lisboaleipzig,1994



sempre ali estiveram, na dobra dos dias
mas apenas os revelámos nas palavras
por vezes de forma mortal decidindo a imagem
ou o sentido da imagem no seu interior
sem que se revelassem por si mesmos ao nosso olhar

de modo que a geração das palavras
com que os nomeávamos, ou lhes definíamos a curva,
continuamente se insinuava entre nós e o tempo


Pedro Saborino


in Marginalia





quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Para Herberto Hélder



morrer é assim: sepultado na luz como um pássaro no voo
Herberto Hélder, in a Imagem Expansiva, 1981


círculo de fogo

procuro as vozes nocturnas das imagens
na escuridão desvendo o espaço interior das coisas mortas
nada é apenas um grito
um apelo da dor
um membro trucidado
as flores são meras metáforas da maldade
o vácuo insano
caminho em passos de cego
sobre a carne
que o fogo me consome

e vivo

talvez


Pedro Saborino

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Para Lorca





Cante jondo

(…) dos que morreram separa-me
um muro de sonhos maus.
Gazel da lembrança de amor , Federico Garcia Lorca


nada
enche agora este campo senão o luar
(em Agosto a lua resplandece sobre Granada)
quantos corpos mais vão cair
junto ao rio sangrento?
quantas flores celebrarão o negro olhar
fitando a morte?
quantos gritos clamarão a liberdade?
e o rio vai
levando o silêncio e a noite
como o aroma do laranjal até ao mar
verde que te quero verde
dizias
e sobre ti não passarão





Pedro Saborino

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Para Camões




Dinamene



nos sons da noite desejo-te o teu mar
desvendo-te nas coxas o meu poder
dentro de ti, navego-te, sem te saber
tão perto o fogo, tão fundo o olhar

invento-te o mistério, a dor, o despertar
do teu gemido, que no amanhecer
abre a obscura gruta, o súbito enlouquecer
da vaga insaciada, da morte devagar




Pedro Saborino

domingo, 15 de janeiro de 2012

O poder da literatura






Pela sua importância e oportunidade junto, com a devida vénia, um link para o post da Profª. Helena Damião no excelente blog De Rerum Natura.
Trata-se de uma súmula do livro Para que serve a literatura de Antoine Compagnon ( foto acima) no qual se reflecte sobre o significado da literatura na vida e na escola.



É um notável documento que me impressionou profundamente pela sua concisão e sobretudo por mostrar como a literatura é um instrumento de civilização, de saber, de liberdade e de partilha.


http://dererummundi.blogspot.com/2012/01/para-que-serve-literatura-2.html#links

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Para Fiama

Nós que tivemos a vagarosa alegria repartida
pelo movimento, pela forma, pelo nome,
voltamos ao zero irradiante (…)
Fiama Hasse Pais Brandão in “ As Fábulas” ed. Quasi



nada restará de mim para além do verbo essencial
a mudança do olhar
a liturgia da paixão

nada recriará a viagem
senão o interior das palavras
a sua paisagem verdadeira
nada lembrará o mar senão o barco






Pedro Saborino

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Para Álvaro de Campos





porque matéria e espírito são apenas nomes confusos



dados à grande sombra que ensopa o exterior em sonho



e funde em noite e mistério o universo excessivo






Álvaro de Campos












viagem





é noite e passeio na rua o meu cão

tenho a lua e as estrelas sobre mim e, vendo-as, divago
de constelação em constelação, de galáxia em galáxia, de cúmulo em cúmulo
em cósmica viagem
vou até aos princípios que se afiguram muito para além do fim deste universo
(pressinto que sejam outros universos)
e daí ainda por distâncias que a astrofísica já não entende
talvez só o sonho dos universos apenas sonhados
ou a poesia
porque a poesia não tem regras físicas, não se submete à gravidade
nem precisa do tempo para existir

e penso: o que é a distância? que métrica me toma o olhar sobre estes astros como se fosse a geração do tempo e este por si mesmo
o espaço, deixando-me vê-los pela sua luz
que viaja até mim através do espaço sideral?
onde estou , silencioso espectador do nada?
aonde me transporta aquilo que eu não sei, ou aquilo que deixei de saber, ou aquilo que nunca virei a saber?

estou aqui, inerte, ou movo-me? quem sou eu afinal? desígnio ou matéria pensante? que do vazio irrompe
como a vida ressurge da morte
em ramos poderosos, em fontes submersas que rasgam subitamente a quietude da paisagem

quem somos nós todos, viventes, quem é o deus que nos observa
nos acolhe os temores,
as imperfeições, a ignorância, a soberba?
que pedra bruta somos até modelarmos o nosso rosto verdadeiro?


depois o meu cão alça a perna junto à árvore
e regresso à fina crosta da noite


Pedro Saborino



segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Para R.M.Rilke





poema incompleto









todas as coisas ressoam a profundidade infinita, todos os elementos se reunem com o mundo
R.M. Rilke

é necessária a poesia? é necessária e urgente a poesia?
os deuses vagueiam por dentro deste cântico funesto e o mundo celebra o efémero, sabemos tudo o que resta de nós, agora mortais,
e as vozes grandiosas já não nos comovem
como o rosto macio do jovem
ou a água vibrante na corda do vento matinal

é então necessária a poesia?
como descreveríamos a paixão das palavras, como ressurgiríamos do nada para o eterno?
como viveríamos assim, em concêntricos círculos de inquietação até ao mistério final?
como diríamos amo-te, ou desejo-te, ou tomo-te na vaga poderosa da carne, sem sucumbir?
como diríamos eu sonho, ou desvendaríamos a luz do poente?

acreditamos no poder da poesia
porque




Pedro Saborino





quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Para Pablo Neruda




Geração do poema






Não estás morto,não estás morto.


Estás apenas dormindo.


Como dormem as flores


quando o sol se reclina.






o poema está aí onde tu o inventas
e a tua mão subverte esse tempo indefinível que lateja
na antecipação do prazer
como o sexo

está aí o poema, só teu, em nudez total
depois move-se, sempre inacabado, suplicando na dor do corpo
e rasga-te
no movimento
esse instante que ninguém viu ou sentiu ou respirou senão tu
profano aprendiz da agonia da palavra exacta
da revelação
do rio profundo da matéria

está aí o poema, possuindo-te já e não possuído
tomando-te o suor incendiado na vigília que entra pela manhã
calcinando-te no fogo interior da sua construção
está aí o poema
entre o sim e não, o amor e a morte, o anjo e a mutilação
o nada e a revelação
está aí senhor e servo da tua criatura
em mudança permanente




Pedro Saborino


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Para T. S. Eliot


(…) e o fim de toda a nossa exploração
será chegar aonde partimos
e conhecer esse lugar pela primeira vez

T.S.Eliot, Quatro quartetos



Nostos

assim, entre o ser e a destruição dos dias, ocupo-me finalmente dos seus escombros
ando por galerias de minas antigas da memória
antecipando a grandiosidade do fogo,
metalúrgico sinal da origem

estou preso nas entranhas do verbo
evoco os lugares que julguei serem meus,
entre mim e outro, indecifrável,
diria todos os outros nos quais já não consigo ver-me
mas que fui eu e eu conheci
e me descobriram nesses lugares

lugares talvez verdadeiros
talvez apenas lugares através dos meus sentidos

descrevo-me pois viajante de retorno à idade das vozes primitivas
ao refúgio no qual a inquietação se avoluma
e o olhar desperta
absoluto



Pedro Saborino

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Gente comum



(…) o que chamamos o princípio é muitas vezes o fim
e terminar é começar.
É do fim que nós partimos.
T.S. Eliot, in Quatro quartetos



carregaremos sobre os ombros o peso da liberdade
milhões de mortos nos olharão
e o seu sacrifício não será redimido
sem o nosso próprio sacrifício

seremos julgados pelos que vierem depois de nós
pelas nossas omissões
pela nossa ignorância
pela nossa indiferença
pelo nosso egoísmo
pela nossa servidão

nada nos livrará do juízo temível dos mortos
se formos moribundos do futuro

sábado, 10 de dezembro de 2011

teoria geral do conhecimento



(…) e o fim de toda a nossa exploração
será chegar aonde partimos
e conhecer o lugar pela primeira vez

T.S.Eliot. Quatro quartetos


assim, entre o ser e a destruição dos dias, me ocupo dos seus escombros
por galerias de antigas minas
que antecipam a grandiosidade do interior da terra
o seu metalúrgico fogo
estou preso no verbo
invoco a memória dos lugares que achei meus
estou entre mim e o outro indecifrável
diria todos os outros nos quais já não consigo ver-me
mas que eu fui e eu conheci
que me descobriram nesses lugares
talvez verdadeiros
talvez só meus
talvez só lugares

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

exercício barroco sobre a liberdade




tens a liberdade que tomas do teu mundo
a tua viagem é em ti mesmo
do que não queres
do que não te conseguem tirar
do que não te silenciam
ou do que não te matam
morrerás por ti
cobarde e só
se não recusares

o teu corpo aprisiona-te
se o deres ao inquisidor

és senhor da tua luz
e apenas escravo da tua escuridão

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Insurreição


fecho aqui as páginas
que libertam o poder dos nomes
a sua insurreição
(a liberdade é o poder dos nomes que lemos nas páginas abertas)

voltarei
decerto voltarei
não para esta terra servil
mas para a sua luz maior

sábado, 19 de novembro de 2011

Carreira 28







viajo através de ti
cidade
reclinada junto ao rio que te cresce por dentro numa invenção dos movimentos do amor
descrevo-te
sentado no cavalo amarelo e abrem-se recantos
descubro-te as vozes da manhã em praças pequenas rodeadas de janelas com roupa vasos flores grades ferrugentas escadarias de pedra miradouros da luz
gente de distantes lugares
vinda em barcos ancorados no porto fluvial
na esperança adiada do dia maior
da flor
do encanto
do azul




sei que te amo cidade
desesperadamente



mas nesta viagem
sei também que morro contigo

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Fábulas sem moral nenhuma 2




Os senhores da pasta preta voltaram. Com sorrisos esquivos, convenientes, pendurados do canto da boca. Voltaram e vasculharam. Com os seus olhos pequeninos de agiotas. Com as suas mãos melífluas e as suas maquinetas. Viram os livros todos dos senhores do castelo. Espreitaram por baixo das mesas, dentro das gavetas, nos recantos escuros e nas arcas onde por vezes se escondem segredos da casa. Viram e rosnaram entre si. Num rumor inquietante que o castelão observava, distante, de mãos retorcidas.
Depois fizeram-lhe sinal para se aproximar. Imperativos. De dedo em riste sobre o seu nariz disseram-lhe para se sentar. E ele sentou-se. Num pequeno banco de três pés. Assim, quase acocorado, temeroso, ouviu então a reprimenda dos senhores da pasta preta. Num tom crescente de intensidade ameaçaram-no ocupar o castelo se não fizesse exactamente o que lhe haviam determinado. O castelão sentiu que já nada mandava no castelo e que só lhe restava cumprir tudo o que lhe haviam dito. Chamou então todos os seus súbditos e, engrossando a voz clamou:- Vivemos todos momentos difíceis e de todos se espera que se sacrifiquem para os ultrapassarmos. Dos que menos podem se exige que dêm tudo o que ainda têm; dos que mais podem que dêm o que não lhes fizer falta. Assim poderemos sair em breve desta situação. O povo, recalcitrante, nada reclamou porque ao lado estavam os senhores da pasta preta.
Mais tarde os senhores da pasta preta chamaram o guardião das moedas e disseram-lhe:- Tu aí , tens que te governar por tua conta. Chamaste-nos e agora tens de nos aguentar. O guardião das moedas, que temia que o castelão lhe ficasse também com as moedas, respondeu:- Pois bem, então vou ali buscar mais moedas do povo. E assim fez. Com isto os senhores da pasta preta decidiram ir-se embora. Com passos rápidos, afastaram-se do castelo dizendo:- Em breve voltaremos.

sábado, 12 de novembro de 2011

Do Ultimatum











A genialidade torrencial de Fernando Pessoa é por vezes profundamente provocatória, como demonstra o longo panfleto poético "Do Ultimatum" (Álvaro de Campos, 1917) de que transcrevo aqui um trecho sobre a sua ideia de Europa.
Faço-o como homenagem ao Poeta, que venero. Faço-o como desafio a todos nós, portugueses.













(...)A Europa tem sede de que se crie, tem fome de Futuro !
A Europa quer grandes Poetas, quer grandes Estadistas, quer grandes Generais !
Quer o Político que construa conscientemente os destinos inconscientes do seu povo !
Quer o Poeta que busque a Imortalidade ardentemente, e não se importe com a fama, que é para as actrizes e para os produtos farmacêuticos!
Quer o General que combata pelo Triunfo Construtivo, não pela vitória em que apenas se derrotam os outros!
A Europa quer muito destes Políticos, muitos destes Poetas, muitos destes Generais!
A Europa quer a Grande Ideia que esteja por dentro destes Homens Fortes — a ideia que seja o Nome da sua riqueza anónima!
A Europa quer a Inteligência Nova que seja a Forma da sua Matéria caótica!
Quer a Vontade Nova que faça um Edifício com as pedras-ao-acaso do que é hoje a Vida!
Quer a sensibilidade Nova que reúna de dentro os egoísmos dos lacaios da Hora!
A Europa quer Donos! O Mundo quer a Europa!
A Europa está farta de não existir ainda ! Está farta de ser apenas o arrabalde de si-própria ! A Era das Máquinas procura, tacteando, a vinda da Grande Humanidade!
A Europa anseia, ao menos, por Teóricos de O-que-será, por Cantores-Videntes do seu Futuro!
Dai Homeros À Era das Máquinas, ó Destinos científicos! Dai Miltons à época das Coisas Eléctricas, ó Deuses interiores à Matéria!
Dai-nos Possuidores de si-próprios, Fortes Completos, Harmónicos Subtis!
A Europa quer passar de designação geográfica a pessoa civilizada !
O que aí está a apodrecer a Vida, quando muito é estrume para o Futuro!
O que aí está não pode durar, porque não é nada!
Eu, da Raça dos Navegadores, afirmo que não pode durar!
Eu, da Raça dos Descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir um Novo Mundo!
Quem há na Europa que ao menos suspeite de que lado fica o Novo Mundo agora a descobrir?
Quem sabe estar em um Sagres qualquer?
Eu, ao menos, sou uma grande Ânsia, do tamanho exacto do Possível!
Eu, ao menos sou da estatura da Ambição Imperfeita, mas da Ambição para Senhores, não para escravos!
Ergo-me ante, o sol que desce, e a sombra do meu Desprezo anoitece em vós!
Eu, ao menos, sou bastante para indicar o Caminho!
Vou indicar o caminho!(...)










Álvaro de Campos, 1917

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

25 anos

CONVITE
Congresso Internacional
25 Anos na União Europeia, 25 anos de Instituto Europeu
28, 29 e 30 de Novembro de 2011 no Auditório da FDL


Demasiado entretidos com as auto-estradas que cresciam ao ritmo das transferências comunitárias, primeiro; inebriados com o dinheiro fácil e barato e com as liberdades de circulação, depois; embalados pelo discurso dos bons alunos, quase não parámos para pensar nos caminhos que trilhava a União Europeia e nós com ela.
Subitamente, todas as nuvens se abateram e, bons católicos, começámos a expiar as nossas culpas, com um comprazimento quase masoquista em apontar os nossos erros e maus comportamentos. E, também neste percurso, não parecemos parar para pensar.
Seguramente que cometemos erros mas, num momento em que se assiste a uma crise que atinge um número cada vez maior de membros da União, é preciso entender que o problema - que também é nosso - não é só nosso.
Torna-se, assim, especialmente premente a reflexão sobre onde estamos e para onde vamos.
É com o maior prazer e orgulho cívico que, em nome do Instituto Europeu e do Instituto de Direito Económico, Financeiro e Fiscal da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, convido todos os cidadãos interessados em participar na construção do seu futuro e do da Europa a participar no Congresso Internacional 25 Anos na União Europeia, 25 anos de Instituto Europeu.

Eduardo Paz Ferreira
Presidente do Instituto Direito Económico Financeiro e Fiscal
Presidente do Instituto Europeu

Entrada livre mediante inscrição prévia e sujeita à capacidade da sala

Instituto Europeu da Faculdade de Direito de LisboaAlameda da Universidade1649-014 Lisboa
Tel: (+351) 21 7933250Fax: (+351) 21 7942592E-mail: inscrições@25anosdeadesao.eu E-mail: institutoeuropeu@fd.ul.pt site: http://www.25anosdeadesao.eu/site: http://www.institutoeuropeu.eu/