terça-feira, 16 de junho de 2009

Fracasso


É por demais óbvio que a campanha do Partido Socialista para as eleições do Parlamento Europeu foi, mais do que decepcionante, um fracasso total. Fracasso que nem a militância do PS conseguiu disfarçar. Vital Moreira, independentemente do seu valor intrínseco como cidadão e como intelectual, foi sem dúvida alguma uma péssima escolha. Uma escolha que compromete de alguma forma, pela pálida imagem pública, discurso cinzento e falta de convicção, a própria imagem do PS neste momento tão crucial na definição de uma estratégia eleitoral para as autárquicas e legislativas de 2009.


Maria de Lurdes Pintasilgo, João Cravinho, António Vitorino e Sousa Franco foram de longe candidatos cabeças de lista mais intervenientes e mais brilhantes do que demonstrou ser Vital Moreira.


Do Congresso de Espinho saiu uma dinâmica estruturante com vista ao combate às desigualdades, exclusão e discriminações, de maior justiça social que alguma vez a direita oportunista e a esquerda demagógica e radical poderiam seriamente propor , dinâmica que a campanha socialista das europeias apenas palidamente reflectiu, se é que essa mensagem alguma vez atingiu o eleitorado.


Mais do que nunca os próximos e decisivos embates eleitorais farão prova da força e vitalidade da esquerda democrática e dos seus valores , face ao sinuoso discurso revivalista de uma oposição que se divide entre o magistério compungido da direita e a utopia gasta de uma esquerda que caça votos no descontentamento do eleitor, dando numa mão um nada e na outra uma ramo de coisa nenhuma.
Mais do que nunca há que dizer a verdade aos portugueses, fechar o balanço da hipocrisia e da ambiguidade, enfrentar o descontentamento e a desilusão, construir esperanças e horizontes - sem o que o sufrágio pode revelar-se calamitoso. Para nós e para as próximas gerações.
O abismo chama o abismo.

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