quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Tristes trópicos

Com a cena nacional transformada numa miserável taverna argentaria, há acontecimentos que passam quase despercebidos, sinal da nossa periferia e quase inexistência cultural.
Assim não admira que tenha sido ignorada a morte de Claude Lévi-Strauss, figura ímpar da cultura da segunda metade do século XX. O autor de Tristes Trópicos ( relato admirável da sua vivência de contacto com os Ameríndios) e de Estruturas Elementares do Parentesco é na realidade o fundador da Antropologia Cultural moderna . A sua visão universalista e globalizante do comportamento social e cultural que construiu numa perspectiva estruturalista as bases antropológicas da sociedade, constitui uma visão ímpar do mundo e do respeito pelo homem na sua dignidade e diversidade.
As leituras que fiz das sua obra na minha juventude , em particular os Triste Trópicos ( que foi por muito tempo para mim um autêntico roteiro de aventura e de descoberta), deixaram marcas profundas na minha formação e na forma de entender o mundo. Infelizmente compartilho com ele o pessimismo quanto ao futuro e subscrevo as suas palavras de que "este não é o mundo que eu amo".

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