terça-feira, 24 de novembro de 2009

a poesia não tem de ser




a poesia não tem de ser bela
há apenas aves apodrecidas
no bordo do caminho
os deuses há muito deixaram os rios onde agora flutuam detritos
e escuros limos
a poesia não tem de desvendar ou interrogar ou interpelar
há por vezes demasiadas palavras na poesia
e o tempo urge
a poesia não tem de ser ilegível
ou hermética
deve ser directa e brutal como uma puta
despir-se
vomitar trucidar violentar
a poesia não tem de mudar nada
no todo imutável
tem sim de libertar
tem sim de recusar

não há poesia nenhuma numa criança morta

Novembro de 2009

2 comentários:

  1. A poesia é bela,
    mesmo quando nos desvenda a fealdade das ninfas, cobertas de escuros limos
    A poesia é bela,
    quando descobre outros sentidos mesmo na má gestão política,
    A sua poesia, recusa e liberta, obriga-nos a sair de casa

    Abraço.

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  2. eu diria precisamente o contrário...

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