quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A liturgia da poesia




O Prémio Nobel da Literatura de 2011 foi atribuído a um poeta - Tomas Transtromer , nascido em Estocolmo em 1931 . Desde os 25 anos que publica poesia. Vítima de um acidente vascular cerebral há alguns anos continuou o seu labor poético até à actualidade. É considerado o mais importante poeta sueco dos tempos modernos. Publicado em mais de 30 línguas. Praticamente desconhecido em Portugal , apenas representado numa colectânea de 1981 e citado nalguns blogues de poesia que vão por aí sondando o outro mundo . O que não admira. A poesia em Portugal é ostensivamente ignorada. As editoras aqui apenas crismam os génios preconcebidos. Ou pré-concebidos, enfim como quiserem. Temos as editoras que merecemos e as escolhas que não merecemos. Pequeninas, grotescas e ridiculamente preconceituosas. Como os bolinhos da tia, que ninguém come mas todos elogiam.

A Academia redimiu-se, depois de algumas escolhas menos boas. A Poesia verdadeira - essa visão premonitória, essa descoberta do apenas imaginável que está para além do real, essa libertação suprema do quotidiano, essa verdade sempre renovada, esse incêndio das palavras que torna a condição humana o único bem em que nos podemos encontrar como seres solidários, essa visão intangível de um mundo mais próximo - essa Poesia está hoje em festa.

Com essa festa me congratulo e me associo com todo o meu profundo entusiasmo.

Amanhã as editoras deste pobre país vão descobrir que a Poesia afinal existe.

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