segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

exercício barroco sobre a liberdade




tens a liberdade que tomas do teu mundo
a tua viagem é em ti mesmo
do que não queres
do que não te conseguem tirar
do que não te silenciam
ou do que não te matam
morrerás por ti
cobarde e só
se não recusares

o teu corpo aprisiona-te
se o deres ao inquisidor

és senhor da tua luz
e apenas escravo da tua escuridão

2 comentários:

  1. Gosto,
    com escadas de descer
    que são de subir...

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  2. Bela foto do "poço" iniciático (dizem alguns...) da Quinta da Regaleira.
    Mas, o poema é de uma rara inteireza, que rima, claramente, com beleza.
    O último verso é tremendo.
    A viagem que vai da escuridão à luz é longa, tensa, rugosa, semeada de armadilhas.
    Entretanto, tem o meu amigo, toda a razão.
    Na escuridão...é-se escravo.
    O que viu a luz...é senhor, liberto,ingénuo (por que pertence, então, a uma gens), mestre, dirão alguns.
    Abraço

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