domingo, 3 de maio de 2009

Costa da Guia


Um final de tarde tranquilo daqueles que se alongam em frente dos nossos olhos até o céu se esbater do laranja vulcânico até ao roxo morno . Sem nuvens. Uns quantos melros e rolas saltitando. Ao fundo a linha do mar , para lá do farol.
O telemóvel toca mas eu ignoro-o . Talvez seja outra vez aquele meu amigo que suspeita ter a gripe nova e está preocupado. Ladra ali um cão e gritam uns miúdos na piscina duma das moradias.
Arrumo uns livros dispersos . O meu filho chega do Guincho com a namorada. Foram passear a pé.
Abro o meu Para Sempre, do Vergílio Ferreira.
"Para sempre. Aqui estou. É uma tarde de Verão, está quente. Tarde de Agosto. Olho-a em volta
na sufocação do calor, na posse final do meu destino. É uma comoção abrupta - sê calmo . Na aprendizagem serena do silêncio. Nada mais terá que aprender ? Nada mais . Tu e a vida que em ti foi acontecendo".
Ou a sempre evocada Maria Gabriela Llansol. O Amigo e Amiga.
" Hoje, terminei o meu ciclo do dia; e eu cavei energicamente a minha terra ; lancei-lhe sementes para o futuro ao prosseguir o rito da ressuscitação para os textos de Nómada
que se levantam em torno de um epicentro
que é uma Obra ___uma obra comum, exactamente como nós
somos uma mó inscrita nos dois lados".
O eterno devir.

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