quarta-feira, 1 de abril de 2009

1 de Abril de 1939






há uma página em branco
onde podes escrever quinhentas mil vezes
morto

podes imaginar uma fonte onde não matas a sede
e que deixas para trás
numa curva da estrada com um muro
de pedras manchadas de sangue

levanta os teus olhos sobre este plaino
com flores amarelas que despontam
ouve o canto de pequenas aves assustadas
e, ao longe, uma voz talvez um grito
depois uma rajada

vem tocar este chão de pedras caídas
sobre memórias e membros esmagados
numa luz que não é crepuscular mas
te gela as mãos
agora já nesta manhã que adivinha o nada
um futuro de silêncio



Daniel de Sousa


Um comentário:

  1. Parabéms pelo magnífico poema!! O terror da morte que inflige uma perspectiva da maldade do homem, faz eco ao longo das suas palavras meu caro amigo.

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