domingo, 19 de abril de 2009

Censura



Juntam-se neste documento - um editorial de Fernando Namora para o Jornal do Médico, de que fui assinante durante muitos anos e que constituiu uma referência das publicações médicas portuguesas - três situações . Por um lado o autor do editorial, Fernando Namora, por outro lado a figura nele evocada , Jaime Cortesão , e finalmente o facto de o texto ter sido totalmente cortado pela comissão de censura o que eufemisticamente era designado pelo carimbo dos guardiões da verdade salazarista como " visado" .
A perseguição censória era apenas uma pequena mas importante faceta da hedionda máquina de repressão que o regime ditatorial tinha montado para silenciar vozes indesejadas.
Ambos médicos, ambos escritores. Namora foi durante alguns anos médico no Instituto Português de Oncologia ( até 1966) , tendo saído ainda eu iniciava os meus estudos na Faculdade de Medicina de Lisboa. Dessa passagem profisssional colheu muita da experiência humana que depois transparece nos Retalhos da Vida de um Médico. Neste texto Namora evoca a participação de Jaime Cortesão como voluntário do Corpo Expedicionário Português como capitão-médico na I Guerra Mundial e ainda o seu admirável perfil humano e de cidadão.
O Prof. Jaime Cortesão teve uma proeminente actividade anti-fascista que pagou com o exílio primeiro em França e depois no Brasil, que o acolheu e onde exerceu uma fecunda actividade docente e de investigação como historiador. Em 1957 regressou a Portugal e foi preso por se ter envolvido na campanha de Humberto Delgado.
Namora presta-lhe neste texto uma homenagem justíssima - que aos olhos da ditadura era inconveniente.
Mais uma razão para aqui recordar os dois.

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