quinta-feira, 12 de março de 2009

me quedan las palabras



na morte de Rafael Albertí


28 de Outubro de 1999



de que se fazem os cantos as duras formas dos picos submersos na angústia do anoitecer de que se fazem o rosto acerado e aquelas mãos
retorcidas que cortam o vento ? de que se fazem
os pássaros esmagados
dentro dos sonhos
que já não brilham como estrelas
de que se faz o silêncio que provém do vazio
e flutua
aquela boca gelada que já nada pede
o fio trémulo com que o menino segura a lua

os passos
na chuva o calor sufocante e o odor do laranjal
de que se fazem ? o recanto da luz e o pequeno banco de pau
de que se fazem todos os ódios calcinados a greta da miséria
e a tua fome ó vão guerreiro

ó pranto

de que se fazem o destroço o duro arco vergado o caule
morto
ofício roxo de um céu esquecido


de que se fazem?

de que se fazem?

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